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ORTOPEDIA: saiba tudo sobre o universo da especialidade que cuida dos ossos e músculos

Ortopedia é a especialidade médica que utiliza métodos clínicos, físicos e cirúrgicos para tratar, corrigir enfermidades, lesões e deformidades ósseas, dos músculos, dos tendões, articulações e ligamentos, e tudo o que está relacionado ao aparelho locomotor, ao sistema esquelético e estruturas associadas.

Essa especialidade está diretamente relacionada à Traumatologia que é a especialidade médica que lida com as lesões corporais resultantes de traumatismos do aparelho músculo-esquelético, focando-se, porém, em lesões ósseas e tendinosas da coluna, bacia, e membros superiores e inferiores, sendo que outros tipos de traumas deverão ser atendidos pela especialidade à qual estão relacionados.

Atuação do ortopedista

O médico ortopedista atua em diversas áreas, e dependendo da sua formação ele poderá tratar de pacientes politraumatizados, realizar cirurgias, tratar de fraturas ósseas simples ou mais complicadas, orientar e tratar pacientes com problemas de postura, má formação óssea, coluna, enfim, especializando-se na área que melhor lhe convier.

O ortopedista pode trabalhar em clínicas, consultórios, hospitais e unidades de saúde públicas e privadas. Pode atuar como autônomo, gerindo seu próprio consultório ou clínica, ou fazer parte de equipes médicas em clubes e associações esportivas.

O cotidiano desse profissional envolve atividades como: realizar consultas e coletar dados importantes sobre o paciente; diagnosticar o problema levado pelo paciente; solicitar exames; elaborar tratamentos; indicar equipe de fisioterapia; prescrever medicamentos; acompanhar a recuperação do paciente e realizar cirurgias.

O ortopedista pode atender pacientes de todas as idades, desde bebês até idosos. Pode, ainda, especializar-se em uma determinada área do corpo, escolhendo tratar apenas de problemas de coluna, joelho, mãos, etc.

Confira abaixo a entrevista com o Dr. Mário Albuquerque, Ortopedista com foco em Oncologia, da Clínica Soma:

  1. Por que escolheu a ortopedia como área de atuação?

Dr. Mário: Sempre gostei de traumatologia, e após me formar na faculdade, fui trabalhar como médico socorrista no SAMU e no resgate de rodovias. Após 3 anos trabalhando nessa área, achei que era o momento de me aprofundar mais no tratamento das vítimas de traumas músculo-esqueléticos, mas de uma maneira diferente, dessa vez dentro do hospital.

  1. O que significa ser ortopedista?

Dr. Mário: O ortopedista é o médico responsável por orientar e tratar os pacientes com queixas, lesões ou doenças do sistema músculo-esquelético (ossos, articulações, músculos e etc.).

  1. Quais os principais desafios enfrentados na ortopedia?

Dr. Mário: De maneira geral, no tratamento dos pacientes ortopédicos, assim como em qualquer outra área da medicina, é necessário fazer uma investigação detalhada e um exame físico minucioso, direcionados à principal queixa que o paciente trás na consulta. Em grande parte, o desafio é identificar o fator de risco que levou àquela situação.  Muitas vezes o tratamento consiste na identificação desse fator de risco e na busca por uma solução para controlá-lo. Por exemplo, um tenista amador com dor crônica no cotovelo provavelmente desenvolveu uma condição chamada de epicondilite lateral, também conhecida como tennis elbow (cotovelo do tenista). Para tratar, além de utilizar medicação por um período específico, é necessário realizar uma reabilitação adequada (fisioterapia, alongamentos, fortalecimento do grupo muscular específico) e, principalmente, descobrir o motivo que levou ao desenvolvimento da doença. Esse motivo pode estar relacionado a um peso excessivo da raquete, uma empunhadura inadequada, a tensão que é colocada nas cordas da raquete e etc. Frequentemente, existe uma associação desses fatores, e é necessário realizar ajustes em cada um deles para que o paciente retorne para suas atividades, mas sem sentir dor.

  1. No trauma, o que mais preocupa?

Dr. Mário: O trauma é uma área incrivelmente desafiadora da ortopedia. No tratamento das fraturas, contusões, lesões, temos como objetivo escolher o método de tratamento que dará mais chance ao paciente de retornar às suas atividades normais, preservando a função do membro afetado e, de preferência, com o menor tempo de afastamento possível. Mas não é uma escolha fácil, pois para cada tipo de trauma ou fratura, existe uma “identidade”, e para cada uma dessas “identidades”, existe um tratamento diferente.

  1. Quando procurar o ortopedista?

Dr. Mário: Essa é uma pergunta importante e frequente. Deve-se procurar um ortopedista sempre que houver alguma queixa ou dúvida relacionada ao sistema músculo-esquelético. As queixas mais comuns do atendimento ortopédico são as dores agudas (iniciada dias ou poucas semanas antes da consulta, por exemplo, dores causadas por traumas) dores crônicas (que ultrapassam o período das dores agudas, por exemplo, dor lombar com 4 meses de duração). Também acho interessante procurar um ortopedista para buscar orientações sobre atividades físicas, com o objetivo de encontrar a atividade física ideal de acordo com o perfil do paciente.

  1. O que acontece em uma primeira consulta com o ortopedista?

Dr. Mário: Na primeira consulta, busco os detalhes relevantes da história do paciente, examino a região em que o paciente apresenta a queixa e, quando necessário, solicito exames complementares. Dependendo da situação, se o paciente apresenta uma dor de difícil controle, prescrevo medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios.

  1. No atendimento eletivo, quais são os principais desafios?

Dr. Mário: Os principais desafios estão na busca, e controle, dos fatores que levaram o paciente àquela situação. Na maior parte das vezes, o sedentarismo é um desses fatores. Explicar ao paciente com hábitos sedentários que a atividade física deve fazer parte de sua rotina é um grande desafio.

  1. Quais são os principais problemas ortopédicos?

Dr. Mário: Aproveitando o tema da resposta acima, os problemas ortopédicos mais comuns têm muita relação com atividades físicas. Eles podem aparecer por excesso ou falta dela, ou por atividades realizadas de maneira não adequada. Fora esses, existem também os problemas ortopédicos relacionados aos diversos tipos de traumas.

  1. E quais são os principais tratamentos ou protocolos que são seguidos?

Dr. Mário: Um protocolo ideal para tratar e/ou evitar problemas ortopédicos é colocar na rotina uma atividade física que traga ao paciente a sensação do bem estar, além dos benefícios ao sistema músculo-esquelético. Sempre digo que o ideal é que seja uma atividade dinâmica, prazerosa e que proporcione ganho de força muscular, alongamento e melhora cardiorrespiratória. Outra importante dica é evitar períodos prolongados numa mesma posição, principalmente na posição sentada.

  1. Quais são os principais mitos que circulam sobre a ortopedia?

Dr. Mário: Um mito que circula de maneira frequente é a de que dor nas costas é sinônimo de problema do nervo ciático. Existem várias causas de dores lombares, e a lombociatalgia (dor lombar por compressão das raízes nervosas que formam o nervo ciático) é uma delas. A maioria das dores lombares está associada a encurtamentos musculares, hábitos inadequados e falta de um bom preparo físico.

  1. É importante incluir o ortopedista nos check-ups?

Dr. Mário: O check up ortopédico funciona de maneira diferente de um clínico. Não se deve solicitar radiografias e ressonâncias do corpo todo, sem uma causa específica para investigar. Durante uma consulta ortopédica de rotina devemos atentar às questões mencionadas acima, sobre mudanças e eliminação dos hábitos inadequados, assim como aos fatores de risco para desenvolvimento de problemas ortopédicos.

  1. A revolução tecnológica no diagnóstico por imagem modificou o trabalho do ortopedista?

Dr. Mário: Com certeza. Hoje temos recursos cada vez mais modernos, como exames em realidade aumentada, apps para smartphones, radiografias digitais, ressonâncias magnéticas com imagens mais detalhadas e assim por diante. Mas nada disso adiantaria se durante a primeira consulta não investigássemos a fundo a queixa principal, seguido por um exame físico detalhado. Feito isso, e já com as principais hipóteses diagnósticas em mente, os exames de imagem tornam nosso trabalho mais fácil rsrs!

  1. Na ortopedia, quais são os tratamentos da dor mais atuais?

Dr. Mário: Existem diversos tipos de medicamentos analgésicos, com várias apresentações diferentes (comprimidos, cápsulas, adesivos, cremes, injetáveis, e etc. O ponto principal é identificar a origem da dor e, a partir daí, utilizamos os recursos disponíveis. O protocolo para tratamento de dores varia de acordo com a doença. Existem protocolos para tratamento de dores traumáticas, de dores crônicas, de dores pós-operatórias e tratamento paliativos para pacientes com doenças em estágios mais avançados, com alto potencial de gerar dores fortes.

  1. O que é a Ortopedia com foco em Oncologia?

Dr. Mário: Essa área, pouco conhecida pela população em geral, trata os pacientes com tumores músculo-esqueléticos. Esses tumores, raros quando comparados às outras doenças ortopédicas, podem ser primários, ou seja, que tiveram origem em algum órgão do sistema músculo-esqueléticos (osso, cartilagem, músculo, e alguns outros órgãos) ou secundários, que tiveram origem em um órgão que não faz parte do sistema músculo-esqueléticos, por exemplo, câncer de pulmão, que tenha gerado lesões ósseas, chamadas de metástases ósseas.

  1. Como se procede ao tratamento de lesões em pacientes oncológicos?

Dr. Mário: O tratamento, sempre que possível, envolve uma equipe multidisciplinar, com radiologista, patologista, oncologista clínico e o oncologista ortopédico. Inicia-se com a identificação do tumor. Existem vários tipos de tumores músculo-esqueléticos, que podem ser classificados em tumores benignos e tumores malignos. Os tumores benignos subdividem-se em benignos não agressivos e benignos agressivos. Os malignos dividimos de maneira diferente, levando em consideração o seu potencial de gerar metástases, o grau de agressividade e o estágio em que se encontra no momento do diagnóstico.

  1. Em quais tipos de tumores a ortopedia oncológica é fundamental?

Dr. Mário: Na minha visão, essa área da ortopedia é fundamental para todos os tipos de tumores músculo-esqueléticos. Devido à baixa incidência dessas lesões na população em geral, o diagnóstico não acontece diretamente com o médico oncologista ortopédico, e sim com um ortopedista de outra área, ou um colega médico com outra especialidade. Com isso, surgem dúvidas sobre como tratar e orientar o paciente e sua família. A função do oncologista ortopédico é justamente indicar o tratamento adequado para cada tipo de tumor. A maioria dos tumores é benigna, e o tratamento é conservador, ou seja, não é necessária uma cirurgia para retirar o tumor. Mas é de extrema importância o acompanhamento ambulatorial, acompanhando essas lesões com o exame físico e os exames de imagem. Nos casos de tumores agressivos, ou os malignos, muitas vezes a cirurgia é o tratamento de escolha.

  1. Quais são as lesões ortopédicas mais comuns em pacientes oncológicos?

Dr. Mário: Os tumores ósseos seguem um padrão de acordo com vários fatores do paciente, mas o principal deles é a idade. Nas crianças e adolescentes, o tumor ósseo benigno mais comum é o osteocondroma. No caso dos malignos, os principais são os osteossarcomas (tumores malignos produtores de tecido ósseo) e os sarcomas de Ewing. Nos adultos, um dos tipos de tumores mais comuns são os encondromas (tumores benignos produtores de cartilagem), e os malignos mais comuns são os condrossarcomas (tumores malignos produtores de cartilagem). Por fim, os tumores ósseos reservados aos pacientes com idades acima dos 50 – 60 anos, seguem um padrão similar. Um dos tipos mais comuns, além do já citado encondroma, é uma doença não neoplásica, mas que simula um tumor ósseo, chamada de doença de Paget. Os tumores ósseos malignos mais comuns nos pacientes com idade acima dos 50 – 60 anos são as secundárias (metástases ósseas, geradas por um tumor em outro órgão) e as lesões ósseas decorrentes do mieloma múltiplo, um tipo de câncer originado na medula óssea.

  1. Existe algum medicamento, ou alimento que possa fortalecer os ossos, músculos para ser um escudo para lesões?

Dr. Mário: Infelizmente, esse tipo de medicamento não existe. Existem medicamentos para tratamento das doenças do metabolismo ósseo, como a osteoporose. Esses medicamentos são indicados em situações muito específicas, quando há uma acentuada diminuição da densidade óssea, levando a uma fragilidade excessiva e, com isso, aumentando o risco de fraturas. A maneira mais eficaz para fortalecimento e proteção dos ossos, cartilagens, músculos e articulações, é manter uma alimentação equilibrada em nutrientes, exposição controlada ao sol (os raios solares auxiliam na transformação da vitamina D em cálcio, agindo diretamente nos ossos) e realizando atividades físicas de maneira regular.

  1. Gostaria de acrescentar alguma informação ou conteúdo?

Dr. Mário: Sim! Entendo que a conotação gerada por palavras como “oncologia” e “tumores” é pesada. Mas nem todo tumor é um câncer. E para cada tipo de tumor, ou câncer, existe um tratamento. O importante é manter um padrão de vida saudável, realizar check-ups médicos de acordo com a faixa etária e, se porventura apresentar uma queixa ou dúvida relacionada a um problema ortopédico, estamos inteiramente à disposição para ajudar da melhor maneira possível.

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